O Brasil deu mais um passo importante rumo à implantação da TV 3.0, também conhecida como DTV+. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Câmara dos Deputados receberam autorização para utilizar estações-teste localizadas em São Paulo e Brasília, permitindo a transmissão contínua de suas programações dentro do Projeto de Evolução do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre.
A liberação foi concedida pelo Gired, grupo responsável pelo processo de redistribuição e digitalização dos canais de TV e RTV. A iniciativa marca uma etapa fundamental antes do início da operação oficial do novo padrão tecnológico no país.
Na EBC, a previsão é que os testes comecem em março. Nos próximos dias, a emissora deve receber os equipamentos necessários para a implantação da estação experimental, incluindo antenas, sistemas de transmissão, infraestrutura técnica e demais recursos voltados à operação e manutenção do projeto.
Seja Digital e o papel na implantação da TV 3.0
As estações-piloto estão sendo implantadas pela Seja Digital, entidade sem fins lucrativos criada por determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A organização foi estruturada em 2015 com recursos das operadoras Algar, Claro, TIM e Vivo, vencedoras do leilão do 4G, com a missão de acelerar a digitalização do sinal de TV no Brasil.
Em 2024, a Seja Digital recebeu novas atribuições, entre elas a responsabilidade de apoiar e acelerar o desenvolvimento da TV 3.0. Com isso, passou a atuar diretamente na criação de ambientes de testes para que emissoras, universidades, fabricantes e desenvolvedores possam experimentar o novo padrão tecnológico.
Estação experimental da TV 3.0 em Brasília
Em Brasília, a EBC sedia uma estação experimental instalada na Torre de TV Central. O local concentra a preparação das infraestruturas de transmissão necessárias para os testes da TV 3.0. A estação opera em um canal de 6 MHz, utilizando configuração MIMO 2×2 e polarização cruzada, o que permite avaliar soluções avançadas de transmissão e recepção de sinal.
O projeto envolve o desenvolvimento e a validação de tecnologias que ampliam as capacidades da televisão aberta, como melhor qualidade de áudio e vídeo, maior interatividade, mobilidade e novos serviços digitais. Parte da infraestrutura de codificação e multiplexação é baseada em nuvem pública, por meio da Broadcast Core Network.
Essas estações experimentais poderão ser utilizadas por emissoras públicas e privadas, instituições de pesquisa, universidades e empresas de tecnologia, criando um ambiente colaborativo para inovação no setor.
Fabricantes chineses demonstram interesse em conversores
Para que a TV 3.0 funcione em televisores atuais, será necessário o uso de conversores compatíveis com o novo padrão. Nesse cenário, fabricantes chineses despontam como os principais interessados em produzir esses equipamentos para o mercado brasileiro.
Empresas como a Hisense já manifestaram intenção de atuar nesse segmento, o que pode ajudar a reduzir custos e acelerar a adoção da tecnologia no país. A expectativa é que os conversores se tornem essenciais a partir de 2026, quando a TV 3.0 começar a ser implementada de forma mais ampla.
Próximos passos
A previsão do governo é que a implantação da TV 3.0 ocorra de forma gradual, começando pelas grandes capitais a partir de 2026. Até lá, os testes em São Paulo e Brasília serão fundamentais para validar o modelo tecnológico e definir como será a transição para o novo padrão.
A iniciativa representa um marco para a radiodifusão brasileira e pode transformar completamente a forma como a população consome televisão aberta nos próximos anos.

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